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Agir vs Reagir 

Leia as seguintes definições:

Agir – fazer algo; atuar; proceder; comportar-se;

Reagir – opor a uma ação outra contrária; exercer reação;

Imaginemos o seguinte exemplo:

 

    Estou na rua e de repente há alguém, num determinado contexto, que tem um comportamento negativo e de forma desajustada face a mim, quer seja no trânsito, num supermercado, entre outro qualquer exemplo que queiram imaginar. Posto isto, desafio-vos a questionarem-se sobre qual a vossa tendência de resposta, vão contra-atacar essa pessoa, retaliando de volta ou vão refletir primeiramente sobre esse comportamento, racionalizando sobre o acontecimento? A reação é uma tendência no ser humano, comportando-se muitas vezes de acordo com a premissa “se discutem comigo eu vou discutir de volta; se alguém próximo comete algum deslize vou atacar" mas de que nos serve a reação? Claro, a reação é importante porque nos faz entrar em movimento face a outra força e sentir protegidos mas nem sempre o é em todos os contextos e na gestão emocional é um deles.

   Voltando ao exemplo anterior, imaginemos que, se uma pessoa discute comigo no supermercado por uma razão supérflua e desproporcional, qual será o comportamento mais compensatório para mim? Reagir simetricamente ao estímulo recebido criando uma discussão ou refletir primeiramente “porque será que esta pessoa se comportou assim? Terei eu tido algum comportamento incorreto? O que lhe vou responder?” e depois, aí sim, agir da forma mais correta que nos pareça, quer seja alertar a pessoa para o seu comportamento, tentar instalar a calma ou também argumentar, mas desta vez, de forma refletida, entre todas as outras possibilidades. E é esta a principal diferença entre agir e reagir, processar o momento de forma a comportarmo-nos ajustadamente, beneficiando-nos.

    As problemáticas relativamente a reações são constantes nas relações dos seres humanos, pelo que a alteração destes comportamentos é um processo que pode por vezes ser demorado e difícil mas não impossível. A ação, por outro lado, permite-nos obter diferentes benefícios quer a nível emocional como relacional, por exemplo:

- Se não “atacar” a outra pessoa, possivelmente, haverá espaço para o diálogo, sentindo-se esta “desarmada”;

- Aumento da perceção de gestão das minhas próprias emoções e comportamentos;

- Diminuição do impacto de situações potencialmente desagradáveis e danosas;

- Foco na obtenção de estratégias de resolução de conflitos;

    Em suma, a reação faz parte do nosso instinto mas este não é rígido e inflexível, cabendo-nos o treino destas competências, ensinando ao nosso corpo e mente como agir de uma forma mais benéfica para todos. 

 

Se necessitar, peça ajuda.

 

 

Ana Teixeira Mendes

Dra Ana Teixeira Mendes

ISPA
Ordem dos Psicólogos Portugueses
Entidade reguladora da saúde

©2024 por Dra Ana Teixeira Mendes 

 

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